segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Cartazes e atividades- educação infantil.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A EDUCAÇÃO NA CONTEMPORANEIDADE PERANTE AS TRANSFORMAÇÕES TÉCNICO-CIENTÍFICAS, ECONÔMICAS E POLÍTICAS.



A contemporaneidade está sendo marcada pelas constantes transformações técnico-científicas, denominadas também de Terceira Revolução Industrial. Libâneo (2003) afirma que as mudanças econômicas, sociais, políticas, culturais e educacionais são consequências da grande aceleração das transformações técnico-científicas.
Ciência e tecnologia são transformadas em força produtiva, diminuindo o trabalho humano e modificando as relações sociais. Para Severino (2006) a educação deve ser uma prática histórico-social, assumida por uma ótica ético-política, um movimento social marcado por construtividade e historicidade da prática humana, construída por ações que objetivam promover transformações tanto individuais quanto sociais. Sendo prática histórico-social, seus fenômenos de natureza política e educacional não se determinam de maneira técnica e mecânica, ocorrem no fluxo da construção histórica e, nesse contexto, a prática educativa se revela como modalidade de trabalho prática e política desse universo simbólico da existência humana.
A revolução tecnológica segundo Libâneo (2003) se apoia na tríade revolucionária: microeletrônica; microbiologia; energia termonuclear. Tal tríade indica os caminhos do conhecimento e as perspectivas do desenvolvimento da humanidade. Libâneo (2003) explicita os aspectos das três revoluções industriais ocorridas na história da humanidade. A primeira revolução ocorreu na segunda metade do século XVIII, caracterizando com o processo de industrialização e com a substituição da produção artesanal, provocando a evolução da tecnologia e o aumento da mercadoria, a ampliação do capital, à divisão de classes, o trabalho assalariado.
A segunda revolução aconteceu no século XIX ao surgir à indústria química, o petróleo e principalmente os meios de transporte e comunicação, modificando o sistema de produção em massa, implicando no aumento da produção e eliminação de desperdícios, no controle do tempo dos trabalhadores, a fragmentação e individualização de tarefas, intensificando a técnica e padronização.
Já na terceira revolução, denominada como científica iniciada no século XX, pautada na microeletrônica, na robótica, informática, produção de sintético, fibras óticas e chips, um grande avanço e aperfeiçoamento dos meios de comunicação. A revolução da microbiologia, o conhecimento genético dos seres vivos permitiu a produção de plantas e aperfeiçoamento na produção de animais para combater a fome, a luta pela cura e eliminação das doenças e, em outros aspectos ocorre o risco frequente da produção artificial de seres humanos, a criação de vírus artificiais e a ameaça de guerras bacteriológicas. A microeletrônica, o uso pessoal de objetos facilitadores e modificadores de hábitos da vida cotidiana, em especial o computador. A revolução informacional, o mundo interconectado a modificação de hábitos, cultura, necessidades sociais, a intensificação da individualização.
Para Severino (2006) o homem está em constante transformação, ele constrói com sua prática, com seu modo de ser, se relacionando com a natureza por meio do trabalho, com seus iguais nos processos sociais, com sua subjetividade por meio da vivência cultural simbólica em uma prática intencional e subjetiva. É o conhecimento que possibilita ao homem sua existência histórica, adquirido de forma intencional, planejada e formal na escola, e de maneira informal nas relações sociais. A educação na perspectiva de Severino (2006) é um instrumento de formação e vivência de conceitos e valores, além de ser ferramenta de preparação para o trabalho, uma vez que o conhecimento é que direciona as referências necessárias para a prática produtiva, para a política e para a prática cultural.
O praticar humano não é mecânico e transitivo, como ocorre com os outros seres naturais, é sim uma ação que se reveste de intencionalidade e com sentido vinculado a objetivos e fins historicamente apresentados, o que implica além de uma referência cognitiva, um referencial valorativo subjetivo, daí a indispensabilidade do referencial ético do agir e do relacionamento explícito entre ética e educação.
Nessa esfera subjetiva, o homem possui uma moral que o possibilita conviver em sociedade, direciona suas ações, delimita o que é certo e o que é errado, são valores que pontuam a seu agir, sendo alguns impostos pelo seu meio sócio-cultural. Ao optar por alternativas utilizando sua consciência o homem representa o seu meio mediante a formação de conceitos, que por sua vez são objetos de estudo da ética. Porém como determinar a importância destes valores e como embasar o referencial valorativo da consciência moral? O próprio homem é o valor em sua condição primária de existência, ou seja, sua historicidade, incompletude, corporeidade e finitude, portanto o master dos valores morais é o valor da dignidade da existência humana, é pela qualidade deste existir que se pode traçar o quadro referencial valorativo que defina o sentido do agir social de cada indivíduo.
Para Coêlho (2006) são consentidas em plano subsidiário e inferior as atividades de ensino e análise que, nos diversos campos do saber e do procedimento humano, não visam o prático, o utilitário, a solução de problemas específicos, sobretudo das humanidades ao que se refere da existência humana e de suas criações, no plano dos indivíduos, da sociedade. Ressalta também que, a universidade tem se afastado da busca de seu ser e manifesto pouco mérito em perguntar por sua natureza, ou seja, os saberes práticos produzidos, vão em prol a objetivos imediatos do Estado, das empresas e de grupos.
Ao refletirmos sobre as considerações de Libâneo (2003) e Severino (2006) acerca da educação escolar na contemporaneidade podemos observar que os dois autores abordam a questão das transformações sociais ligadas também a uma transformação na subjetividade humana. Ou seja, para os mesmos é preciso ter a compreensão de que o agir humano é transformado e transforma as relações em um processo histórico social, cultural e político.
           As transformações técnico-científicas ocasionam uma reviravolta na vida do trabalhador em sociedade, uma vez que, assumem o papel de força produtiva ocasionando uma diminuição do trabalho humano. Esta realidade força os indivíduos a se submeterem a uma corrida por formação técnica e geral, que por sua vez, incha o mercado com profissionais em determinadas áreas consideradas mais acessíveis ao mercado de trabalho, ocasionando um processo de competitividade, em que, a exigência de ser o melhor é cada vez mais severa.
           A competitividade que permeia as relações educacionais e trabalhistas está diretamente ligada ao que Severino (2006) pontua como uma “exacerbada valorização de uma suposta autonomia e suficiência do sujeito individual” (p.305). Ou seja, o sujeito é forçado, pela lógica do mercado, a acreditar que seu esforço pessoal para ser o melhor é passaporte para o sucesso nas relações sociais.
Para Coêlho (2006) a universidade tem se preocupado em ser espaço de profissionalização dos alunos para a incubação no mercado de trabalho, o mundo da produção, dos serviços e do consumo, ou seja, formar funcionários para o Estado. Uma vez que, privilegiar esta profissionalização dos alunos no ensino superior é receber os objetivos dos mecanismos internacionais na área da educação, que está constituído no mundo da produção e do trabalho. Sendo assim, assume a lógica da competitividade, nas demandas imediatas e favoráveis, no aprender a fazer, a operar a natureza e a sociedade, negando no próprio ser, sua identidade, seu caráter ético, transformando pessoa em coisa. Em vez de centrar-se na formação de seres humanos que reflitam a realidade e a recriem em geral, a formação profissional não vai além da preparação de especialista, de técnicos para o caráter mercadológico.  
          É em relação a esse apelo social, de sujeitos bem preparados para o mercado capitalista, que a educação se vê sobrecarregada por uma exigência de eficiência que, impulsiona uma corrida de gestores, professores, pais e alunos, por uma preparação para processos avaliativos e seletivos que, cada vez mais passam a ser o foco do ensino tanto na esfera privada quanto na pública. Nesta perspectiva, o desenvolvimento da sensibilidade ética e estética fica prejudicado.
           Compartilhando da ideia de Severino (2006) fica evidente que o sentido da existência humana, frente às transformações no seio da sociedade, fica ofuscado pela ideologia dominante. A ética, frente a esta realidade, entra em crise dada a inversão de valores que o modelo capitalista imprime à subjetividade humana.  Severino (2006) enfatiza que a educação só se legitima quando há um investimento para a construção da cidadania, que pode ser compreendida como melhores condições de trabalho, da sociabilidade e da cultura.
          A educação deve sim superar o amadorismo e preparar para a nova realidade social, política e econômica. No entanto, deve pautar-se na busca da construção de uma sociedade mais justa, em que o respeito à cidadania e os valores morais façam parte dos objetivos educacionais. Neste contexto, Coêlho (2006) afirma que, não é fácil pensar e lutar para criar uma nova sociedade e outra educação, visto que a corrupção, a prepotência e o desrespeito ao direito e a tudo o que é público, e constitutivo da existência coletiva permeiam a vida social, os poderes da República, em nível Municipal, Estadual e Federal.  
REFERÊNCIAS:
GUIMARÃES, Valter Soares (orgs.). Formar para o mercado ou para a autonomia?: O papel da universidade. Campinas, SP: Papirus, 2006, p. 43-63.
LIBÂNEO, José Carlos; OLIVEIRA, João Ferreira de; TOSCHI, Mirza Seabra. Educação Escolar: políticas, estruturação e organização. São Paulo: Cortez, 2003, p. 59-70.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Fundamentos ético-políticos da educação no Brasil de hoje. In: Lima, Júlio César França (org.) Fundamentos da educação escolar do Brasil contemporâneo. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, EPSJV, 2006, p. 291-195.


Roselaine Monteiro dos Santos.

PCNs História e Geografia



PCNs História e Geografia
O conteúdo de História faz parte do currículo desde a constituição do Estado brasileiro, predominava o ensino da História Civil articulada à História Sagrada com o intuito de catequizar a população. A partir de 1870 foi criado um programa curricular de História Profana segundo o método da memorização. Ao final do século XIX, as novas propostas educacionais afirmavam que a educação seria a responsável pela transformação do País. A escola elementar seria responsável pela erradicação do analfabetismo, moralização do povo e integração do povo estrangeiro à ideologia nacionalista e elitista. A História tinha a função de modelar o cidadão brasileiro patriótico, a História da Civilização substituiu a História Universal tendo o Estado como agente condutor da sociedade ao estado civilizatório. História Nacional, História Pátria e História da Civilização objetivavam integrar o povo brasileiro à moderna civilização ocidental.
Os conteúdos da História Pátria enfatizavam os feitos gloriosos dos vultos célebres e as tradições do passado. A moral religiosa foi substituída pela moral cívica com o desenvolvimento de práticas, celebrações e cultos aos símbolos e datas comemorativas. Em 1930, após criação do Ministério da Educação e Saúde Pública e Reforma Francisco Campos o ensino de História enfatizava a História Geral, com a industrialização e a urbanização houve a necessidade de conhecer a identidade deste povo brasileiro. Apesar do escolanovismo a metodologia que predominava no ensino de História continuava sendo a memorização.
Após a Segunda Guerra Mundial a História foi considerada disciplina de formação para a paz, passando a Unesco a interferir nas propostas curriculares  e nos livros didáticos, pautando a disciplina em humanismo enfatizando os processos de desenvolvimento econômico das sociedades e os avanços tecnológicos, científicos e culturais.
A proposta era substituir as disciplinas de História e Geografia na educação elementar por Estudos Sociais, com a temática voltada à visão norte-americana em currículos nos quais predominavam o discurso homogêneo de educação para o trabalho. No nível secundário foi proposto o estudo influenciado pela historiografia marxista a História Nova com ênfase nas transformações econômicas e conflitos entre classes. O ensino primário prevalecia conhecimentos históricos das festividades cívicas.
A partir da Lei nº. 5.692/71, no decorrer do período do governo militar foi implantado os Estudos Sociais, que constituía ao lado da disciplina de Educação Moral e Cívica os estudos históricos e geográficos centrados em círculos concêntricos nos quais os estudos deveriam estar vinculados aos estágios de desenvolvimento psicológico do educando.
No decorrer do processo de democratização nos anos 80 os currículos passaram a ser questionado o avanço tecnológico nas comunicações se tornaram canais de informação e formação cultural, discutia-se o retorno da História e da Geografia ao currículo, tendo como temáticas questões ligadas à história cultural, social e o cotidiano, introduzindo a História Crítica com o objetivo de desenvolver atitudes intelectuais e a desmistificação das ideologias, possibilitando a análise da sociedade. O ensino de História foi ampliado a partir da educação infantil e primeiros anos do ensino fundamental, os métodos e livros tradicionais passaram a ser questionados, estando o ensino de História em processo de mudança em seu conteúdo e método.
Aproximando a História das demais ciências sociais em especial a Antropologia ampliou-se os estudos dos povos de todos os continentes, passou-se a considerar outras fontes documentais, possibilitando assim outras concepções de tempo, obtendo o ensino de História uma função relevante na formação do cidadão, nas relações pessoais, na identidade social.
O saber histórico escolar e sua relação com o saber histórico compreende a delimitação de conceitos fundamentais: os fatos históricos que são relacionados aos eventos, festas cívicas, ações e heróis; os sujeitos históricos, personagens que desempenham ações de poder e decisões, ou seja, os agentes de ação social; o tempo histórico pode ser entendido como tempo cronológico, tempo biológico, tempo psicológico interno dos sujeitos e objeto social construído pelos povos. Tais conceitos refletem as concepções de como é a História.
De acordo com os PCNs de História e Geografia, as primeiras tendências de Geografia no Brasil surgiram com a fundação da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo na década de 40. Seu objetivo era abordar as relações do homem com a natureza de maneira objetiva, o estudo da relação homem-natureza, desvinculado da sociedade, foi chamada de Geografia Tradicional os estudos eram pautados na memorização. No decorrer do período pós-guerrra as metodologias e teorias da Geografia Tradicional foram insuficientes para a apreensão das mudanças ocorridas pelo desenvolvimento oriundo do capitalismo. Nos anos 60 surge a Geografia Marxista, a qual não bastava explicar o mundo, era preciso transformá-lo, uma Geografia com conteúdos políticos significativos na formação do cidadão, no entanto as metodologias e livros didáticos conservavam o ensino tradicional, negligenciando a relação homem-sociedade-natureza. Segundo os PCNs o ensino de Geografia pode levar o aluno a compreender a realidade de forma ampla.
A Geografia é dividida em campos do conhecimento da sociedade e da natureza proporcionando um aprofundamento temático de seus objetos de estudo, tal divisão é necessária como recurso didático para distinguir os elementos sociais ou naturais, no entanto é artificial, pois o objetivo da Geografia é explicar e compreender as relações entre a sociedade e a natureza, trabalhando as diferentes noções espaciais, temporais, os fenômenos sociais, culturais e naturais.
O espaço geográfico é construído pelo homem, à medida que ele organiza a sociedade, sendo o homem desta maneira sujeito construtor do espaço geográfico, homem social e cultural. O saber geográfico é constituído por: percepções; vivências e as memórias dos indivíduos. Estudar Geografia é compreender a sua posição como sujeito no conjunto das relações sociais com a natureza e as relações estabelecidas na construção do espaço geográfico.
O ensino de Geografia é pautado no livro didático e no discurso do professor, explicado de maneira descontextualizada, seguido dos exercícios de memorização, atualmente as práticas pedagógicas buscam apresentar aos educandos os diferentes aspectos de um mesmo fenômeno, possibilitando aos mesmos a compreensão, identificação e reflexão da realidade.
Os PCNs de Geografia indicam aos professores que a observação, experimentação, analogia e síntese possibilitam ao aluno aprender a compreender, explicar e representar os processos de construção dos espaços, paisagens e territórios.
Os conteúdos de História e Geografia objetivam dotar os alunos dos conhecimentos necessários à compreensão e construção de seus espaços, tempo histórico, atuando da melhor maneira como agentes de transformação e ação social. Os conteúdos como visto são escolhidos a partir do tempo histórico, das necessidades sociais de transformação, aplicados de forma descritiva, permanecendo em sua grande maioria pautados nos exercícios de memorização, influenciados pela ideologia dominante com a finalidade de manutenção e preservação da sociedade vigente.



Referência:
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: história e geografia. Brasília: MEC/SEF, 1997, p. 19-39  102-119.


Roselaine Monteiro dos Santos.